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Para compreender a origem do gaspacho contemporâneo, é necessário compreender as origens de alguns de seus ingredientes básicos na Espanha, sendo um dos principais o tomate (Solanum lycopersicum). Em meados do século XVI, o tomate chegou em terras espanholas procedente dos astecas (América), e Castela era o primeiro ponto de entrada para o resto da Europa devido ao monopólio que possuía sobre o transporte de produtos provenientes do Novo Mundo. Aparece na lista de plantas provenientes do Novo Mundo do códice: Historia general de las cosas de la Nueva España. Já em 1608, aparecem documentos em forma de listas de compras para o Hospital de la Sangre em Sevilha que indicam a presença de tomates e pepinos para o preparo de saladas. Entre 1645 e 1646, o pintor sevilhano Bartolomé Esteban Murillo realizou uma obra denominada La cocina de los ángeles, na qual se mostra o preparo de um prato com tomates. No final do século XVII, o cultivo de tomates em grandes quantidades era frequente, sobretudo no sul da Espanha. Apesar disso, o gaspacho não incorporou os tomates à sua composição até o início do século XIX. Porém, a primeira referência ao cultivo do tomate na Espanha data de 1777 e deve-se ao padre Gregorio de los Ríos, que publica uma obra intitulada Agricultura de jardines, que trata de la manera que se han de criar, gobernar y conservar las plantas y todas las demás cosas que para esto se requieren, dando a cada una su punto. O outro ingrediente do gaspacho é o pepino (Cucumis sativus) e acredita-se que, entre os pesquisadores botânicos, de que sua procedência é da Índia.
Fontes: pt.wikipedia.org
Dali, espalhou-se na Grécia e, posteriormente, seu cultivo extensivo durante a época do Império Romano fez com que se estendesse a todas as zonas ocupadas, o que incluía a Hispânia. A produção, durante essa época de romanização, abrangia todo o ano devido ao emprego de estufas. Essa hortaliça passou ao Novo Mundo durante a colonização espanhola da América. Existem evidências de que, antes do século XVI, o pepino era usado frequentemente na culinária espanhola. Pensava-se, até o início do século XIX, que o alho era originário da zona mediterrânea, sendo a Sicília uma de suas possíveis origens. Pesquisas posteriores apontam sua origem definitiva na Ásia Central. A expansão desse cultivo, assim como sua aceitação na cozinha mediterrânea, data já dos gregos. O pimentão (grupo de cultivo de Capsicum annuum) é o terceiro dos ingredientes do gaspacho moderno e trata-se de uma hortaliça originária do México. Na Europa, cultivou-se predominantemente a variedade doce dessa espécie denominada pimiento morrón. Ao contrário de outras hortaliças trazidas do Novo Mundo, o pimentão se espalhou rapidamente na Espanha e, posteriormente, no resto da Europa. O restante dos ingredientes do gaspacho, como o azeite de oliva e o pão, pode-se comprovar que existiam no território peninsular já desde a época do Império Romano.
Fontes: pt.wikipedia.org
Os soldados romanos costumavam beber, como refresco, uma bebida austera à base de vinagre (vinho avinagrado) e água que denominavam posca, que, de algum modo, está ligada à origem do gaspacho andaluz. Alguns autores sugerem que os próprios soldados romanos talvez molhassem essa bebida com pão e azeite de oliva, fazendo um gaspacho primitivo úmido como uma sopa que, no entanto, não tinha esse nome, mas o de posca com pão. O costume de se refrescar com bebidas assim é narrado por Públio Virgílio Marão no século I, no qual descreve em uma écloga como uma escrava chamada Testílis oferecia aos ceifeiros uma mistura de alhos amassados com ervas aromáticas e vinhos envelhecidos (avinagrados). Supõe-se que o que a escrava preparava era o moretum [es], um prato tradicional da Roma Antiga. Da mesma forma, os agricultores gregos tomavam uma mistura denominada kykeón. Todos eles antecedentes do gaspacho. Para os romanos, caccabaceus, de onde procede a palavra gaspacho, era o nome de um tipo de pão assim chamado porque, para consumi-lo, jogava-se em um caldeirão (caccabus) posto ao fogo com outros ingredientes, e que pôde aplicar-se ao prato em seu conjunto. A partir da Idade Média, quando já se pronunciava gaspacho e se perdeu a consciência da origem e do significado originário da palavra, estendeu-se o termo gaspacho ao que até então havia sido uma posca com pão, que era uma sopa fria, e o gaspacho podia ser um prato quente ou frio com pão molhado.
Fontes: pt.wikipedia.org
=== Gaspachos do século VIII === Após o Império Romano, acredita-se que o gaspacho também foi feito na época de Alandalus e os ingredientes eram migalhas de pão, alho, azeite de oliva, vinagre, sal e água. Esses ingredientes eram amassados em um pilão e servidos como uma sopa. Todos eles eram ingredientes halal, segundo as normas alimentares muçulmanas. Evidentemente, os primeiros gaspachos não possuíam os ingredientes do gaspacho contemporâneo, pois não existiam alguns dos elementos que viriam posteriormente do Novo Mundo (tomate e pimentão) após a colonização europeia da América. A disposição do gaspacho de Alandalus pôde ser semelhante à do ajoblanco e, mesmo com a chegada do tomate e do pimentão a terras espanholas, os gaspachos não possuíam tomate e pimentão, e isso pode ser visto no livro de receitas de Juan de la Mata de 1791, intitulado Arte de Repostería. Sob essa perspectiva, o verbete "gazpacho" no Tesoro de la lengua castellana o española de Covarrubias, pode-se entender que o gaspacho é uma sopa simples e rústica, engrossada com pão, pois o termo "gaspacho" vem de um adjetivo sobre um tipo de pão. A mesma rusticidade e a ausência dos ingredientes modernos encontram-se no Diccionario de Autoridades (1726). Para alguns pesquisadores, este foi o gaspacho original e, posteriormente, se adicionaram as hortaliças e outros ingredientes. Os gaspachos também são mencionados em romances do século XII.
Fontes: pt.wikipedia.org
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